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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Workshop com palestrantes nacionais discute Educação no Sistema Prisional

Cerca de 100 servidores da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) participam do I Workshop de Formação dos Profissionais da Educação das Prisões do Estado do Pará, iniciado nesta terça-feira (24), no Hotel Gold Mar, localizado no bairro do Telégrafo, em Belém. Promovido pela Susipe, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), o evento conta com o apoio técnico e financeiro do Ministério da Educação (MEC).

Com o tema “Saberes necessários à prática educacional”, o Workshop reúne na capital, diretores, agentes prisionais, técnicos e coordenadores pedagógicos de 32 unidades prisionais. Através de palestras, oficinas, mesas redondas, rodas de conversa e mostras de experiências, o evento pretende apresentar novas perspectivas para a educação prisional no Pará.

Participaram da mesa de abertura do evento, o superintendente da Susipe, Cel. André Cunha, o diretor do Núcleo de Reinserção Social da Susipe (NRS), Ivaldo Capeloni, a coordenadora da Educação de Jovens e Adultos da Seduc, Núlcia Azevedo, a gerente da Divisão de Educação Prisional (DEP), Aline Mesquita e o professor adjunto da Universidade Federal Fluminense (UFF), Elionaldo Julião.

Para debater ações e inspirar os servidores, o Workshop conta com a presença de palestrantes nacionais, com ampla experiência na educação para pessoas privadas de liberdade. A intenção é, cada vez mais, proporcionar a compreensão de como as atividades educacionais podem transformar os indivíduos encarcerados.

“O evento foi pensado para poder sensibilizar os diretores, os agentes e os técnicos com a relação à necessidade de oferta da educação. Conseguir trazer diretores de várias casas penais, até mesmo das que ainda não possuem aulas regulares, faz com que nós deixemos ainda mais claro da importância que a educação tem no processo de reinserção social”, afirma a coordenadora da Seduc, Núlcia Azevedo.

Educação Prisional - Os resultados positivos de educação prisional nas penitenciárias do Pará têm crescido desde 2011. Com o workshop se espera que essa evolução seja ainda maior. “Este evento é um marco que coroa todo o trabalho feito neste período. Hoje temos um aumento de 106% de envolvimento nas atividades educacionais. São 14% dos detentos de todo o Estado estudando, enquanto essa média, no Brasil, é de 10,7%. Nosso papel é fazer com que a Educação nas casas penais flua cada vez mais”, diz o diretor do NRS, Ivaldo Capeloni.

Abrindo a programação do evento, o professor da UFF falou ao público sobre os desafios existentes, e já vivenciados, na história da educação prisional brasileira. Mestre em Educação e Doutor em Ciências Sociais, Elionaldo Julião é reconhecido pelo empenho e dedicação no estudo da educação voltada para as pessoas privadas de liberdade.

“O número de pessoas presas tem crescido ao longo dos anos e não é raro ver que os sistemas prisionais dos Estados não conseguem acompanhar esse ritmo. Fico feliz em conhecer os números atuais do Pará na Educação. Saber que o sistema, o Estado, está interessado em melhorar a cada dia é animador. É inadmissível que profissionais que atuam na educação prisional não sejam capacitados para isso”, afirma o professor.

Expectativa - Entre os participantes do workshop, a expectativa por novas experiências era unânime. Para o diretor do Centro de Recuperação Regional de Redenção (CRRR), Kleber de Sousa, os exemplos apresentados no evento poderão ser aplicados para aprimorar as atividades e o desempenho dos internos na educação.

“A gente espera, em um breve período, colocar em prática tudo aquilo que aprendemos aqui. A educação no sistema prisional deve ser vista como estratégia de trabalho. Penso que através da educação é que nós conseguimos mudar o comportamento de alguns internos e é através dessa mudança que nós podemos ter posteriormente um interno mais bem preparado para a sociedade”, observa Kleber.

Potencializar as atividades educacionais dentro das unidades carcerárias tem sido uma das prioridades da atual gestão da Susipe. “Nós não podemos esperar que uma pessoa saia diferente do sistema carcerário, sem oferecer condições para diminuir a vulnerabilidade dela e educação tem esse papel. Nossas ações mostram que temos trabalhado muito para isso e os resultados estão nos números crescentes que temos alcançado. Mas é preciso fazer muito mais, já que a grande maioria dos detentos já perdeu o interesse pela educação antes mesmo de chegar ao cárcere”, afirmou o titular da Susipe.

Para André Cunha, ainda, o empenho dos detentos está envolvido diretamente no trabalho desenvolvido não só pelos professores, mas por também pelos agentes prisionais, formando assim uma corrente de responsáveis pelo êxito destas ações.

Programação – O Workshop de Formação dos Profissionais da Educação das Prisões do Estado do Pará segue até quinta-feira (26), com atividades nos períodos da manhã e da tarde.

Por  Agência Pará

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