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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

DILMA X CUNHA

Dilma Rousseff e Eduardo Cunha, a dupla face do baralho

Leia no editorial desta quinta-feira (15), em O Liberal
Por: O Liberal

Se não se pode com o inimigo, junte-se a ele, diz o velho ditado. É mais ou menos isso o que tentam, simultaneamente, a presidente Dilma Rousseff e o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na tentativa deseperada de salvarem seus respectivos mandatos.
Ela, na mira de vários processos de impeachment protocolados no Congresso Nacional pelo suposto conhecimento do esquema de pagamento de propinas a parlamentares com dinheiro da Petrobras, o chamado petrolão; e ele, também acusado de envolvimento com o caso, uma vez que o governo suíço detectou contas em seu nome em bancos daquele país que somavam nada menos que cinco milhões de dólares, apesar de ter negado.
Os dois, abraçados um ao outro, correm para não afundar no mesmo barco. Cunha já rejeitou vários pedidos de impeachment contra Dilma e agora negocia com o governo a votação de vetos impostos pela oposição, uma derrota para o Planalto, que agora tenta evitar que sejam mantidos, uma vez que entre as medidas aprovadas algumas praticamente “estouram” o Orçamento da União.
Com esse intuito, Eduardo Cunha, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o vice-presidente Michel Temer, também do PMDB, decidiram transferir a votaração dos vetos nas duas casas do Congresso para novembro.
Enquanto isso, Eduardo Cunha, cuja perda de mandato é dada como certa por juristas por quebra de decoro parlamentar, iniciou nos últimos dias uma negociação com o Palácio do Planalto e com lideranças do governo na Câmara para tentar salvar seu mandato. Em troca, ele se compromete a não acelerar o processo de impeachment contra Dilma. Mas ele quer a garantia do governo e do próprio PT de que a denúncia contra ele no Conselho de Ética da Casa não vai prosperar.
O pedido de cassação foi feito pelo PSOL e pela Rede, e deve começar a tramitar no Conselho de Ética da Casa na próxima semana. Nas contas de Cunha, dos 21 integrantes do Conselho, nove são do bloco liderado pelo seu partido, o PMDB, que, somados aos sete do bloco petista, totalizaria 16 votos, portanto suficientes para barrar a investigação e encerrar o processo de cassação.
Mas como é “dando que se recebe”, na política brasileira, caso não se livre do processo, este será levado ao plenário da Câmara, em votação aberta, o que deixaria a situação fora de controle.
As cartas, portanto, estão na mesa. Resta saber se o velho jogo da política vai prevalecer e, mais uma vez, todos sairão livres, leves e soltos, como de regra, salvo algumas raras exceções.
Que as cartas desse baralho têm duas caras - Dilma, de um lado e Cunha, de outro, parece óbvio. O que não se sabe, ainda, é se são, ou não, faces da mesma moeda.

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