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sábado, 5 de setembro de 2015

Alta do dólar faz dívida da Petrobras aumentar em R$ 74,8 bilhões


A excessiva exposição da dívida da estatal ao dólar é um motivo a mais de preocupação no mercado. Ao fim do segundo semestre —último dado oficial disponível, 83% do endividamento da companhia estava atrelado a moedas estrangeiras.
O impacto do aumento da dívida na saúde financeira da companhia depende de outros fatores, como a receita em dólar e eventuais medidas de proteção contra variações cambiais (hedge).
DÍVIDA CARA - Dólar em alta eleva endividamento da estatal
Mas o endividamento ao final de cada trimestre é usado como parâmetro por empresas de avaliação de risco, como indicador da capacidade de pagamento da empresa.
No segundo trimestre, a relação entre dívida líquida e geração de caixa estava em 4,64 vezes, bem superior aos 3,5 vezes considerados adequados pelo mercado.
Isso significa que a empresa precisaria de mais de quatro anos para pagar sua dívida, considerando a geração de caixa daquele período.
A conta considera que não houve captações em moeda estrangeira neste terceiro trimestre (nenhuma foi anunciada pela companhia).
"Com o dólar caminhando para os R$ 4, a dívida da empresa explode", diz o analista independente Flávio Conde, do site Whatscall. "Não vejo saída neste momento, a não ser um aumento de capital", completa.
Segundo ele, a cada R$ 0,10 de desvalorização do real, a dívida da Petrobras cresce R$ 10 bilhões. Quando o real se valoriza, a dívida cai na mesma proporção.
Procurada, a Petrobras não se manifestou sobre o tema.
O cálculo da Economática leva em conta o valor da dívida no final do segundo trimestre, quando o dólar custava R$ 3,10.
Naquele momento, a companhia tinha dívida total de R$ 415,5 bilhões.
Considerando a variação cambial até quinta (3), quando a cotação Ptax (usada para o fechamento de contratos) chegou a R$ 3,776, essa parcela da dívida em dólar sobe para R$ 419,4 bilhões.
A dívida da companhia em moeda estrangeira se acentuou a partir de 2013, como estratégia para sustentar seus investimentos.
No início daquele ano, os empréstimos da estatal atrelados a moedas estrangeiras somavam US$ 62,3 bilhões (ou R$ 127,4 bilhões ao câmbio da época). Ao fim do segundo trimestre de 2015, chegavam a US$ 111,1 bilhões. 

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