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sábado, 9 de maio de 2015

Preconceito dificulta vida de mães na hora de amamentar

Estudante relata constrangimento durante amamentação de filha de 1 ano.

Advogada diz que dano moral pode ser punido pela lei.

Maria da Silva luta pelo direito de dar de mamar sem constrangimento para a filha Violeta (Foto: Kleverson Lima / Arquivo pessoal)Maria da Silva luta pelo direito de dar de mamar sem constrangimento para a filha Violeta (Foto: Kleverson Lima / Arquivo pessoal)
Para a estudante de pedagogia Samily Maria da Silva, amamentar a pequena Violeta, de 1 ano e 8 meses,  é um ato de amor.  “É uma questão nutricional e afetiva. Estudos científicos já apontam o quão fundamental para o desenvolvimento fisiológico e afetivo da criança é a amamentação”, disse. O problema é que, apesar da importância desta alimentação, o gesto ainda é visto com preconceito: a mãe relata que já foi censurada em público apenas por saciar a fome de sua bebê.
Já sofri constrangimento várias vezes por amamentar em público. Uma senhora certa vez sentou ao meu lado no ônibus, e me ‘aconselhou’ a cobrir a mama com um pano. Cuidadosamente perguntei a ela se ela gostaria de comer com um pano no rosto"
Maria da Silva, estudante de pedagogia
“Já sofri constrangimento várias vezes por amamentar em público. Uma senhora certa vez sentou ao meu lado no ônibus, e me ‘aconselhou’ a cobrir a mama com um pano. Cuidadosamente perguntei a ela se ela gostaria de comer com um pano no rosto”, conta a universitária.

Segundo Maria, quem mais reprova a amamentação pública são as mulheres. “Os homens são mais na deles. Rolam uns olhares, às vezes até sexualizando o ato, mas de intervir diretamente as mulheres fazem mais”, aponta a jovem, que vê este tipo de censura como um sintoma de uma sociedade majoritariamente machista. “Há essa construção histórica do corpo culpado das mulheres, de que nós precisamos esconder o corpo para nos protegermos”, relata.
Mesmo com essas dificuldades, a jovem disse que prefere encarar o preconceito do que amamentar em lugares inadequados, como banheiros públicos. “Sempre encaro... e parto para o embate, se for preciso”, afirma.

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