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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Helder Barbalho evita expor o pai na campanha

Filho do senador Jader Barbalho (PMDB), Helder Barbalho, 35, encarna o grande projeto político do pai: assumir o governo do Pará, cargo já ocupado duas vezes pelo senador.
Plenário do SenadoApoiado numa aliança com o PT, costurada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Helder faz uma campanha dissociada do pai: o sobrenome da família não aparece e Jader é uma referência distante.
“O senador Jader já cumpriu [seu] papel como governador, agora como senador. Este é o momento de uma nova geração política”, disse Helder à Folha após caminhada pela periferia de Belém.
A disputa no Pará é acirrada. Segundo pesquisa Ibope, Helder está em empate técnico com Simão Jatene (PSDB), que tenta a reeleição. Também se igualam no segundo turno e em rejeição.
Sem uma promessa “carro-chefe” na campanha, Helder centra a artilharia nos problemas sociais do Estado, como violência em alta e índices ruins na educação, e culpa o PSDB pelo quadro.
Em atividade recente na periferia da capital paraense, Helder corria pelas ruas, em tênis e jeans, para cumprimentar eleitores. Assessores e cabos eleitorais tentavam segui-lo, apontando moradores para receberem abraços.
Os mais velhos citavam o pai do candidato, lembrança evidente no discurso de Helder, que tem o tom de voz e o jeito de falar do pai.
Jader, que renunciou ao Senado em 2001 e chegou a ser preso no ano seguinte sob acusação de desvios de recursos, só apareceu na propaganda de TV do filho no segundo dia, numa apresentação geral da família.
O peemedebista assume o slogan da “mudança” e diz ter “obrigação de enxergar experiências dos que tiveram oportunidade [no poder] para não cometer equívocos”.
JADER E LULA
Pai e filho começaram cedo na política. Jader foi vereador em Belém aos 23 anos, e seu filho, em Ananindeua aos 21. Helder também foi deputado estadual, bem como prefeito de Ananindeua por dois mandatos.
Em 2013, ganhou um programa de rádio no Grupo RBA, do pai. Apresentava moradores denunciando mazelas do Estado.
O candidato monopolizou a propaganda partidária do PMDB no período pré-eleitoral, o que motivou uma ação da Procuradoria por publicidade extemporânea.
E se o pai fica longe da campanha, Lula é figura carimbada. Já apareceu ao menos cinco vezes no programa de Helder, numa delas conversando com o candidato.
O PT é o principal aliado de Helder no Estado, e disputa o Senado na chapa com Paulo Rocha (PT) –ex-deputado federal absolvido no julgamento do mensalão, pelo Supremo Tribunal Federal.
Na convenção do PMDB em junho, ao lado de Helder, Lula lembrou o senador Jader, que estava no palanque.
“Helder, você tem que dizer que é filho [de Jader] com muito orgulho. Paulo [Rocha], você tem que ir para esta eleição de cabeça erguida”, disse Lula na ocasião.
Para Helder, foi uma “homenagem” de Lula ao pai.
“Talvez [Lula tenha dito isso] pelo que chega na imprensa nacional, que é absolutamente destoante do carinho que as pessoas têm [por Jader] no Pará”, disse.

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